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História
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Machico

 

    Situado no extremo oriental da ilha, o concelho de Machico ocupa uma Área de 68,6 quilómetros quadrados. Compreende as freguesias de: Agua de Pena, Caniçal, Machico, Porto da Cruz e Santo António da Serra, com uma população total de 22.190 habitantes. É limitado pelo Oceano Atlântico e pelos concelhos de Santa Cruz e Santana.

    O clima apresenta temperaturas médias entre os 15 graus no Inverno e 24 graus no Verão.

   Neste concelho reside cerca de 9% da população total da Região Autónoma da Madeira. Quase metade dos machiquenses depende ainda, directa ou indirectamente, da agricultura e pecuária, complementando os seus rendimentos com actividades em outros sectores.

   Os primeiros povoadores da Madeira foram João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira. Em Julho de 1419 desembarcavam em Machico, iniciando a partir daí a exploração da ilha. Pouco depois, a ilha era dividida em duas capitanias. Uma delas, a do Norte, estabeleceu-se aqui em Machico, sendo o lugar, portanto, uma das primeiras terras povoadas e sujeitas a imediata exploração agrícola. A capitania foi entregue a Tristão Vaz Teixeira que teve os privilégios de capitão - donatário. Alguns anos mais e era criado um outro poder para zelar pelo interesse dos moradores dos lugares incluídos na capitania. Nascia assim o concelho de Machico, ao qual ficou pertencendo a administração de toda uma vasta área desde a Ponta da Oliveira, contornando a Ponta de S. Lourenço, passando a Ponta de S. Jorge até á Ponta de Tristão. Viria o concelho a sofrer um profundo cerceamento com a criação do município de Santa Cruz no ano de 1515, e uma mutilação ainda maior, em 1744, com a criação do concelho de S. Vicente. Em 1835, nova machadada foi dada nas dimensões do concelho de Machico, com a constituição do de Santana, formado pelas freguesias que boje o compõem e  ainda pela de Porto da Cruz, que voltaria para Machico em 1852.

    Houve vários morgados neste concelho de Machico. Geralmente, o morgadio ou vínculo era concedido pelo rei ou seu representante, como uma espécie de título nobiliárquico, em pagamento de qualquer serviço prestado à Coroa ou por qualquer merecimento pessoal. Destaquem-se alguns: o morgado Cupertino Miranda, que possuía uma característica e boa residência no centro da vila, com arredores arborizados; o morgado Cristóvão Esmeraldo da Câmara Leme, descendente de Gonçalves Zarco, que foi o último a usar o Titulo e foi proprietário do Solar de S. Cristóvão; O morgado Sebastião de Morais, que instituiu a capela do Espirito Santo, na lgreja matriz; o morgado Sebastião de Mendonça e Vasconcelos, que ofereceu à igreja paroquial a imagem de S. sebastião; o morgado João de Bettencourt Baptista, com vínculo no Porto da Cruz, no sítio designado por Terra Baptista, de onde lhe adveio o apelido. Era de origem francesa. Foi seu antepassado Jean de Bettencourt, fidalgo normando que conquistou as ilhas Canárias. Júlio Verne, no seu estudo histórico "A Descoberta da Terra", fala desse indivíduo a quem chegaram a chamar o "Rei das Canárias".

    Em Machico. no sitio da Torre, no ano de 1772, nasceu o poeta Francisco Álvares da Nóbrega, contemporâneo de Bocage. Foi alcunhado de Camões Pequeno, tendo deixado alguns bons poemas. Como muitos poetas da época, também Francisco Nóbrega foi um desprotegido da sorte. Seu sobrinho, o jornalista Januário Justiniano de Nóbrega, mandou reimprimir as suas poesias em 1850, tendo então dito de seu tio: "Antagonista do fanatismo que então reinava, foi perseguido pela Inquisição, gemendo, como Bocage, nos seus cárceres, e pela segunda vez no Limoeiro, donde lhe conseguiram soltura os quinze famosos sonetos que soube tocar o ânimo do monarca". Aos 34 anos, cansado da vida, resolveu optar pelo caminho do suicídio. "Levantou a própria essa no silêncio da noite, rodeou-se dos livros a que consagrava as longas horas de insónia, pôs à cabeceira os seus escritos, e libando, como Sócrates, a bebida fatal, adormeceu no seio do criador". Foi um dos maiores nomes de Machico e da própria ilha da madeira. Isso o compreendeu um antigo presidente da Câmara de Machico, mandando pôr o seu nome ao miradouro situado na Queimada, de onde se desfruta uma soberba panorâmica do ridente Vale de Machico.